quarta-feira, dezembro 28, 2005

Caminhada...

Passo após passa, mesmo trôpego, caminha sobre a sombra das asas dos corvos
Seus olhos estão fixos em um ponto distante, não vêem nada
Seu coração parece pulsar debilmente em seu peito
Em sua mente, a imagem do que aconteceu
A explosão, o vento, o ar quente, os gritos, a culpa
A visão da carne caindo, da pele derretendo, a culpa
Todos caindo ao seu redor, como moscas tontas, a culpa
Os olhos à sua frente implorando, lágrimas de sangue, a culpa
Depois, só o silêncio e mais nada, somente a culpa
Lentamente, ele continua caminhando, passo a passo
Seus pés pisando em ossos, carne e sangue
Mas não há mais ossos, não há mais carne, não há mais sangue
Só a culpa
E a dor... sempre a dor...
Acima de sua cabeça, em um círculo que se fecha cada vez mais
Os corvos o seguem pacientemente... eles sabem...
Mas ele continua, deixando atrás de si,
Como uma serpente o seguindo,
Uma trilha na poeira óssea
O silêncio o acompanha... nem os corvos ousam quebrá-lo
Lá à frente, o desconhecido o aguarda,
Com seus braços mortais e seus dedos em garra
E ele segue andando...

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segunda-feira, dezembro 26, 2005

Sobre o Tempo...

Socorro! Tirem este monstro de cima de mim!

É assim que tenho me sentido nos últimos dias, nos últimos meses. Soterrado e esmagado por um monstro chamado tempo.
Tenho lutado desesperadamente contra o relógio e percebo cada vez mais que é uma causa perdida.
Embora tendo consciência disto, de que não adianta lutar contra ele, de que a solução - como dizem certos "sábios" ao meu redor - é me reorganizar, sinto que o miserável se esvai entre meus dedos como uma fina areia dentro de uma ampulheta.
Ouço por toda parte pessoas comentando que os dias parecem estar mais curtos, que cada vez se tem menos tempo, que "as coisas" - que coisas? - estão ficando mais rápidas do que nunca. E tenho sentido isto na pele.
Mesmo dormindo algo em torno de 3 a 4 horas a cada 24 horas, mesmo assim vejo que sou atropelado por ele - o tempo - como por um trator desgovernado.
Os mesmos "sábios" ao meu redor me dizem que preciso parar antes que eu tenha uma coisa - novamente, a tal "coisa" está presente -, que preciso desacelerar.
Mas, em primeiro lugar, quem está superacelerado é o tempo, não eu.
Em segundo lugar, se eu parar, não vejo como poderei alcançar este mostro que atropela e que, eu parando, simplesmente seguirá seu caminho, e quem quiser que o alcance - ou tente fazer isto.
Tenho visto, em confessado desespero, que tudo está se acumulando e de que cada vez tenho menos tempo - de novo "ele" - para fazer coisas simples, como ler. Aliás, nunca li tão pouco em toda a minha vida. Nunca levei tanto tempo para ler, para terminar um livro.
Outro dia, alguém riu quando eu comentei que revisava minha agenda enquanto estava "no trono". Mas é a mais pura verdade.
Há um tempo atrás, eu usava este "tempo livre" para ler, escrever, fazer palavras cruzadas... Agora, nem mais isto tenho feito.
Sempre dormi pouco, é verdade, e sempre fiquei até 3, 4 horas da madrugada na net ou simplesmente lendo. Mas antes, isto era uma opção. Agora, isto se tornou uma necessidade.
Percebo que começo realmente a me sentir cansado. Creio mesmo que este cansaço esteja inclusive se refletindo no meu dia-a-dia, no meu humor, que está pior do que sempre foi.
Como eu queria ter mais tempo para certas coisas que me fazem falta! Vejo o maldito passando por mim e rindo da minha cara, do meu desespero.
EU SEI O QUE ESTOU PERDENDO!
NÃO PRECISO QUE NINGUÉM VENHA JOGAR ISTO NA MINHA CARA!
Dion Boucicault disse que "Os homens falam em matar o tempo, enquanto o tempo silenciosamente os mata."
Agora, realmente percebo o significado desta frase. Literalmente.
Ah! Antes que os tais "sábios" de plantão venham me criticar por eu reclamar da falta de tempo e, ao mesmo tempo, perder tempo escrevendo isto, deixa eu dizer que só o estou fazendo enquanto reinstalo minha máquina, que teve o bosta do windows destruído quando uma porra de um raio resetou minha máquina na última sexta-feira.
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Será Petróleo?